Piada em formatura reacende debate sobre postura institucional de Moraes
Declaração do ministro ocorre horas após decisão que transferiu Bolsonaro para a Papuda e gera críticas sobre sobriedade no exercício do cargo
Horas depois de determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, no Complexo da Papuda, o ministro Alexandre de Moraes protagonizou um episódio que reacendeu o debate sobre postura institucional e equilíbrio entre poder e solenidade. Durante a colação de grau da 194ª turma de Direito da USP, da qual foi patrono, Moraes afirmou ter feito “o que tinha que fazer”, em tom interpretado por muitos como referência direta à decisão tomada mais cedo.
A fala ocorreu em meio a comentários descontraídos sobre o tempo das apresentações na cerimônia, realizada no Teatro Vibra São Paulo. O ministro mencionou que quase precisou “tomar algumas medidas”, mas que havia se contido, arrancando aplausos e gritos de empolgação da plateia. A associação temporal entre a declaração e a transferência de Bolsonaro deu margem a críticas quanto à conveniência do comentário, especialmente por partir de um magistrado da mais alta Corte do país.
A decisão judicial que antecedeu o episódio determinou que Bolsonaro deixasse a sede da PF, onde estava desde novembro, após reclamações sobre as condições da cela. A defesa pedia prisão domiciliar por motivos de saúde, mas o pedido foi negado. Ao justificar a transferência, Moraes afirmou que o cumprimento da pena não era “uma estadia hoteleira” nem uma “colônia de férias”, linguagem que também foi vista por críticos como desnecessariamente irônica para um ato de tamanha relevância institucional.
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